TIM lava as mãos pro trote do seqüestro

Pela primeira vez recebi, a cobrar, de um número não identificado, um daqueles trotes do seqüestro. Um rapaz com voz chorosa dizia “alô, pai…”, mas desliguei. Nem dei tempo pro coitado me convencer que eu tenho um filho, que ele tem essa voz de marmanjo e que está com algum problema. Três minutos depois, o celular tocou de novo também com um número não identificado que nem atendi.

Imaginando que todo mundo quer saber de onde vêm essas ligações, resolvi contribuir com as investigações internas da TIM que certamente – pensava eu – tem uma grande base de dados com todos os relatos de crimes cometidos por meio de suas linhas. Pelo menos eles devem coletar alguma informação para passar para a polícia de tempos em tempos, imaginei. Logo vi que andei assistindo CSI demais…

Liguei pra TIM e pedi para registrar que tentaram aplicar o golpe do seqüestro no meu celular, exatamente às 16:05 e 16:08 – informações que bastariam para a CTU (do 24 horas) botar um satélite em cima do autor do trote em 5 minutos. A moça da TIM que me atendeu não tinha no script nada para estes casos e falou que a única saída era ir à polícia. Perguntei então:

- “A TIM não liga que seus usuários recebam esse tipo de trote?”
- “Não, senhor”

Botei meu rabinho entre as pernas e desliguei resignado, me sentindo um trouxa por achar que a empresa ia se importar com seus clientes…

Pensando bem, quanto mais trote, mais dinheiro a TIM ganha. Afinal, uma das exigências dos falsos seqüestradores quase sempre é que a pessoa COMPRE CARTÕES PRÉ-PAGOS para celular. Por que acabar com uma atividade tão lucrativa?

Setembro 27, 2007

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