Continuação do resumo das partes mais interessantes do livro “Here Comes Everybody”, do Clay Shirky. Leia a parte 1 aqui.
A facilidade extrema de publicação possibilitada pela internet transforma qualquer um em uma editora. De fato, quem escreve na internet tem o potencial de atingir qualquer pessoa no mundo todo. Mas Shirky alerta para um fenômeno que muitos estudiosos da comunicação online deixam passar: a maioria das pessoas que escreve em blogs, no twitter ou em redes sociais não está nem aí para o público global. O público delas é a roda de amigos.
Se você fuçar nos scraps das pessoas no Orkut vai encontrar um monte de piadas internas, referências a amigos mútuos e outras informações que só interessam ao pequeno círculo de envolvidos na conversa. É como entreouvir o papo de alguns adolescentes desconhecidos na praça de alimentação do shopping.
“A maioria do ‘conteúdo produzido pelo usuário‘ não é ‘conteúdo‘ coisa nenhuma, no sentido de haver sido criado para consumo geral. É como dizer que uma ligação telefônica entre você e um parente é ‘conteúdo produzido pela família‘”
A partir daí surge a distinção entre mídia de comunicação e mídia de difusão. A mídia de difusão, que inclui rádio, TV, jornais e filmes, é como um megafone, facilita a distribuição da mensagem para que todos a recebam. A mídia de comunicação, por outro lado, facilita a conversa de duas vias e tem como exemplos o telegrama, o telefone ou o fax.
A mídia de comunicação sempre foi entre um emissor e um receptor, no padrão um-para-um. Eu falo e você escuta, em seguida você fala e eu escuto. A difusão seguia o padrão de um-para-muitos, e os receptores não tinham como responder.
O padrão que não existia até pouco tempo atrás é o de muitos-para-muitos, e o e-mail foi a primeira ferramenta simples e verdadeiramente global a seguir este padrão.
Conforme a tecnologia evolui, as diferenças entre os padrões evaporam e áreas de transição entre eles surgem. Antes, o meio bastava para se determinar o conteúdo da mensagem. Ler “Eu te amo” em uma carta é bem diferente de ouvir “Eu te amo” na fala de uma personagem na televisão. A carta é o padrão um-para-um e a TV um-para-muitos. Não tem como confundi-los. Mas este limite tão claro acaba ficando nublado na internet.
“Antes da internet se tornar ‘mainstream’, um esforço considerável era necessário para dizer algo que fosse ouvido por um número significativo de pessoas, e por isso consideramos todo material disponível publicamente como material oferecido diretamente para nós. Agora que o custo de colocar coisas em uma mídia global desmoronou, muito do que é postado em um dia qualquer está em público mas não é para o público.”
Por enquanto é isso, mas o livro não acabou ainda. Acho que rende mais um post ou dois para breve.