Tenho falado aqui do livro “Here Comes Everybody”, do Clay Shirky. Desde 2005 ele vem discutindo as idéias do livro e resume quase tudo – com os mesmos exemplos – nesse vídeo:
Lá vem todo mundo – o vídeo
Agosto 2, 2008
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Lá vem todo mundo (parte 2), o público e o privado
Continuação do resumo das partes mais interessantes do livro “Here Comes Everybody”, do Clay Shirky. Leia a parte 1 aqui.
A facilidade extrema de publicação possibilitada pela internet transforma qualquer um em uma editora. De fato, quem escreve na internet tem o potencial de atingir qualquer pessoa no mundo todo. Mas Shirky alerta para um fenômeno que muitos estudiosos da comunicação online deixam passar: a maioria das pessoas que escreve em blogs, no twitter ou em redes sociais não está nem aí para o público global. O público delas é a roda de amigos.
Se você fuçar nos scraps das pessoas no Orkut vai encontrar um monte de piadas internas, referências a amigos mútuos e outras informações que só interessam ao pequeno círculo de envolvidos na conversa. É como entreouvir o papo de alguns adolescentes desconhecidos na praça de alimentação do shopping.
“A maioria do ‘conteúdo produzido pelo usuário‘ não é ‘conteúdo‘ coisa nenhuma, no sentido de haver sido criado para consumo geral. É como dizer que uma ligação telefônica entre você e um parente é ‘conteúdo produzido pela família‘”
A partir daí surge a distinção entre mídia de comunicação e mídia de difusão. A mídia de difusão, que inclui rádio, TV, jornais e filmes, é como um megafone, facilita a distribuição da mensagem para que todos a recebam. A mídia de comunicação, por outro lado, facilita a conversa de duas vias e tem como exemplos o telegrama, o telefone ou o fax.
A mídia de comunicação sempre foi entre um emissor e um receptor, no padrão um-para-um. Eu falo e você escuta, em seguida você fala e eu escuto. A difusão seguia o padrão de um-para-muitos, e os receptores não tinham como responder.
O padrão que não existia até pouco tempo atrás é o de muitos-para-muitos, e o e-mail foi a primeira ferramenta simples e verdadeiramente global a seguir este padrão.
Conforme a tecnologia evolui, as diferenças entre os padrões evaporam e áreas de transição entre eles surgem. Antes, o meio bastava para se determinar o conteúdo da mensagem. Ler “Eu te amo” em uma carta é bem diferente de ouvir “Eu te amo” na fala de uma personagem na televisão. A carta é o padrão um-para-um e a TV um-para-muitos. Não tem como confundi-los. Mas este limite tão claro acaba ficando nublado na internet.
“Antes da internet se tornar ‘mainstream’, um esforço considerável era necessário para dizer algo que fosse ouvido por um número significativo de pessoas, e por isso consideramos todo material disponível publicamente como material oferecido diretamente para nós. Agora que o custo de colocar coisas em uma mídia global desmoronou, muito do que é postado em um dia qualquer está em público mas não é para o público.”
Por enquanto é isso, mas o livro não acabou ainda. Acho que rende mais um post ou dois para breve.
Lá vem todo mundo (parte 1)
Terminei esses dias de ler Here Comes Everybody, do Clay Shirky, um cara que consegue clarear e dar um sentido bem coerente pra muitos conceitos que pairam por aí neste “mundo conectado”. Faço aqui um resumo das partes que achei mais interessantes. Provavalmente nos próximos dias posto uma continuação.
Julho 21, 2008
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Jornalismo digital de Base de Dados é mesmo novidade?
Recebi por e-mail a indicação:
Já está disponível para livre acesso on-line ( e para vendas on demand a EURO 25,00) o livro-coletânea Jornalismo Digital de Terceira Geração, que reúne artigos apresentados durante as “Jornadas Jornalismo On-line.2005: Aspectos e Tendências”.
O download é gratuito.
Via: http://gjol.blogspot.com/2007/06/jornalismo-digital-de -terceira-gerao.html#links
Dei uma olhada no PDF, e à primeira vista a apropriação do termo “base de dados” para falar de um modelo de apresentação de conteúdo jornalístico é que saltou aos olhos…
Junho 21, 2007
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Jornalistas e as APIs de informações de domínio público
Segundo a Wikipédia, uma API é o seguinte:
API, de Application Programming Interface (ou Interface de Programação de Aplicativos) é um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para utilização de suas funcionalidades por programas aplicativos — isto é: programas que não querem envolver-se em detalhes da implementação do software, mas apenas usar seus serviços.
Traduzindo: é um canal – uma interface – para que terceiros consigam conversar com um determinado software (ou com um determinado serviço online), peçam para este software alguma coisa, e recebam uma resposta de volta.
Existem várias APIs funcionando bem por aí. Uma é a do Google Maps. Eu posso, via programação, enviar um pedido para o Google e ele me responde com um mapa mostrando exatamente o lugar que eu pedi.
O flickr também tem uma API interessante. Posso pedir pra ele uma lista de 50 fotos que os usuários tenham descrito com a tag “vermelho”, e ele me devolve a listinha.
Se formos fuçar nas áreas para desenvolvedores do Yahoo!, do Google, da Amazon.com e etc, vamos encontrar muitas ferramentas úteis que eles colocam à disposição para qualquer um usar. Notem que nenhuma dessas empresas tem a obrigação de prestar esses serviços, mas fazem porque são úteis e estimulam a inovação.
Nos países onde a informatização dos órgãos públicos é mais avançada, isso já tem dado resultado. No ano passado um prêmio de jornalismo online foi dado a um cara que juntou a API do Google Maps com informações sobre as taxas de criminalidade nas regiões de Chicago. Criou o ChicagoCrime.
Escrevi tudo isso pelo seguinte. Em nome da transparência, da ética e tudo mais, na minha opinião deveria ser obrigatório para o governo e todos os órgãos públicos liberarem os dados – que todos já podemos acessar de outras maneiras – também via APIs.
Isso facilitaria muito o cruzamento de dados, a detecção de padrões, a atualização automática de sites jornalísticos e incentivaria iniciativas independentes de vigilância e e controle do dinheiro público.
Pode se dizer que informações alcançadas por meio de uma API estão numa linguagem “de máquina”. São computadores conversando dos dois lados, e isso abre inúmeras possibilidades, como por exemplo:
- Qualquer site jornalístico poderia acessar a API do Tribunal Superior Eleitoral e trabalhar em cima dos dados dos candidatos atuais, compará-los com eleições anteriores e ter acesso instantâneo às apurações de votos (coisa que atualmente exige a instalação de um programa específico).
- Poderia-se montar uma câmara dos deputados ou senado virtual, onde ao clicar em cada parlamentar aparece o histórico de votação dele, projetos apresentados, lista de presença e etc.
- Informações do IBGE que já são acessíveis pelo site, serviriam como base para estatísticas sobre municípios e estados…
Enfim, são muitas as possibilidades. E é bom ficarmos ligados pra saber aproveitá-las quando as APIs chegarem.
Julho 28, 2006
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WikiMúsica
E se alguém fizesse um wiki que em vez de alterar o texto que os outros escreveram antes, você adicionasse mais um canal em uma música? Seria uma composição de código aberto, onde o primeiro “compositor” pode colocar somente a linha de bateria, um segundo coloca uma guitarra-base, um terceiro o baixo e por aí vai…
Assim como programas de código aberto, poderiam surgir “troncos” ou “ramificações” de cada música, evoluindo por caminhos diferentes.
Daria pra baixar a música mixada pelo último que alterou, ter várias mixagens alternativas pra mesma música ou baixar os canais separados. Esses canais também poderiam servir pra alimentar uma base de samples, que por sua vez poderiam ser reaproveitados em outras músicas. Essa seria a condição para participar do site. Tudo que for incluído ali está liberado para uso por qualquer um.
Alguém poderia contribuir com uma letra para a música, aí sim um texto alterado no clássico ‘estilo wiki’, que mais tarde um outro usuário com uma voz legal pode gravar por cima.
A qualquer momento estariam disponíveis as versões anteriores, e comparações para ver o que mudou com a contribuição de cada um. Além dessa versão aberta a todos, pode haver uma restrita a um grupo, viabilizando bandas à distância.
Se não tiver alguma coisa do tipo por aí, bem que alguém com tempo poderia fazer…