O Ministério da Educação e Ciência da Espanha colocou na internet, para uso educacional, um acervo enorme de clips de áudio e imagens. Licenciados com Creative Commons, os recursos só podem ser usados para fins educativos ou não-lucrativos.

O banco de imagens tem áreas inteiras dedicadas ao ensino das profissões:
Cabo RCA -> Canon macho

Finalmente estudantes de jornalismo podem entender o que é um cabo RCA-Canon (foto).

Link pro banco de imagens, vídeos e sons.

O banco de áudio é um dos melhores que já encontrei. Tudo em alta qualidade e pronto pra ser baixado em mp3, wav ou ogg. O arquivo que acompanha este post foi tirado de lá. Toque-o numa sala cheia de gente e veja alguém sair atrás do celular (eu fiz isso, deu certo).

Link pro banco de áudio

 
icon for podpress  Celular no vibracall [0:08m]: Play Now | Play in Popup | Download

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Pau na web 2.0

{ 14 de Maio de 2007 }

Essa modinha de web 2.0 tá enchendo o saco. Boçais como o Michael Arrington do Tech Crunch enchem o bolso babando ovo pra qualquer arremedo de site  que tenha um nome com letra faltando (Flickr, Sputtr, etc..), degradê, logotipo refletido num chão encerado, fontes de tamanhos descomunais e sejam feitos com Ruby on Rails por gente que adora Mac.

Mas nem tudo está perdido. Existe um blog pra onde podemos fugir, onde todas essas picaretagens são detonadas sem dó nem piedade, o Uncov.com. Para notícias de web 2.0 é o único que acesso atualmente.

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Garagem, não sabe ler?

{ 19 de Março de 2007 }

ga-ra-gem

Foto tirada numa ruazinha perto do shopping Beiramar em Florianópolis.

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Cory Doctorow traduzido pro português

{ 12 de Fevereiro de 2007 }

Vale a pena ler Cory Doctorow, na minha opinião o melhor escritor de ficção científica da atualidade. O mais legal é que o cara libera seus livros de graça sob a licença Creative Commons. Por causa disso um brasileiro resolveu traduzir voluntariamente o primeiro livro dele, que em português se chama “O fundo do poço no reino encantado” (Down and Out In The Magic Kingdom).

A tradução pode ser acessada neste link.

Os outros livros, em inglês e também liberados para baixar estão no craphound.com.

O último deles, Overclocked, é uma coleção de contos bem legal. Achei muito bom o “When Sysadmins Ruled the Earth”, uma historinha pos-apocalíptica protagonizada por nerds.

E o conto que me fez gostar do cara, 0wnz0red, é uma viagem onde um hacker altera seu próprio corpo via uma interface, recompilando módulos, aplicando patches e consertando bugs, sensacional.

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Fiz uma página que reúne automaticamente várias informações sobre os filmes que concorrem ao Oscar, inclusive os trailers, os links pra baixar os torrents e as legendas em português.

Entre neste endereço para acessar a lista e deixe o seu comentário sobre os erros que você encontrar (tem vários, eu sei…)

UPDATE: Quando a gente ainda tá indo com a idéia, já tem alguém voltando com o site pronto. O oscartorrents.com tem todos os filmes do Oscar pra baixar pelo Bit Torrent.

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Mô cantinho

{ 14 de Dezembro de 2006 }

Mô cantinho

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Entrei no Technorati

{ 5 de Dezembro de 2006 }

Agora este endereço está oficialmente ligado à “minha pessoa” no Technorati, que indexa blogs.

Minha página lá é essa aqui.

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A parte motociclística foi essa:
Moto Verão 2006

E a parte do rock, essa:

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Nunca lutei jiu-jitsu

{ 16 de Novembro de 2006 }

O Google é engraçado. Fica achando que eu sou um outro Pedro Valente, que tem academia de jiu-jitsu no Rio de Janeiro. Mas não tem nada a ver, aquele é outro cara.

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Esse é mais antigo ainda

{ 1 de Novembro de 2006 }

Resenha do filme “Códigos de Guerra” que fiz pro saudoso site “O Malaco”. Acho que com essa finalizo a reciclagem de textos antigos.

* * *

Programa de índio navajo
(Windtalkers). EUA, 2002. Direção de John Woo. Nicolas Cage, Christian Slater. 134 min. Falado em inglês, navajo e japonês. Legendas eletrônicas em português.

Sim, existe um gerador automático de filmes. Nos porões de Hollywood os grandes estúdios escondem uma poderosa máquina onde são inseridos todos os roteiros de todos os filmes já feitos. A geringonça então os embaralha, determina quais os elementos mais eficientes em cada filme e imprime no final um roteiro, com elenco escolhido e tudo mais. A máquina-chavão, como podemos chamá-la daqui pra frente, foi ordenada a bolar um filme de guerra. Saiu então Códigos de Guerra (Windtalkers).

Esta obra, livremente baseada em fatos reais, tem como enredo um grupo de índios navajos, que falam em código na sua língua pelo rádio. Isso impede os inimigos de decifrarem os códigos, porque ninguém do outro lado entende navajo. A proteção do código é essencial, então designa-se um milico pra cada índio, encarregado de proteger não o índio, mas o código. Assim, se o guarda-costas visse que a batalha já era, tinha que apagar o índio pra ele não entregar o código.

OK, temos nosso enredo, personagens cativantes e muita oportunidade para dilemas éticos. Parece estar saindo um bom filme. Vamos apertar o botão “elenco” e ver o que aparece. Temos dois índios e dois militares que vão protegê-los. Surge Nicolas Cage na tela. Legal, temos o protagonista que sabe ser meio pancada (Despedida em Las Vegas) e dar uns tiros (ConAir). Agora, um coadjuvante meio sumido e decadente: Christian Slater. Ele mesmo. Dispensa comentários. O diretor é John Woo, aquele que despontou para o estrelato com filmes do Van Damme. Os dois índios são dois atores índios desconhecidos, ora.

A cena inicial é algo de extraordinário. O índio segura seu filhinho nos braços em contra-plongé (quem não souber o que é isso vá ter aulas de cinema), tendo ao fundo uma tremulante bandeira americana. Parêntese: a bandeira americana aparece 37 vezes no filme. Em seguida, sai da reserva indígena um ônibus de nativos indo se alistar no exército. Certo, podemos engolir que tem alguns índios pelegos, que são realmente patriotas e amam o país que praticamente os extinguiu.

Corta pra guerra. Lá está o Nicolas Cage. Ele comanda um bando de soldados que vão morrendo um a um sob seu comando. Ele é sanguinário e tem um olhar enlouquecido, metralha em volta em câmera lenta soltando um grito de Rambo. Ao morrer, o último soldado que o acompanhava segura-o pelo colarinho e diz “Maldito seja você”. Desnecessário dizer que todas estas cenas se repetirão durante o filme em enfadonhos e intermináveis flashbacks.

Sobra só ele e vai pro hospital com um ferimento no ouvido que o deixa meio surdo. Depois de recuperado, designam ele pra cuidar do índio-galã e o Slater pra cuidar do índio-gordinho-e-simpático-que-toca-flauta. Essa dupla protagoniza um dos momentos mais constrangedores do filme, uma jam-session entre a flauta indígena e a gaita de boca do Christian Slater. Deplorável.

O filme também tem “aquele cara” que era o amigo do Jim Carrey no Truman Show - ele é o soldado sulista e preconceituoso que fica numas de “índio bom é índio morto”. Claro que depois o índio salva a vida dele e ele repensa seus preconceitos e blábláblá e salva a vida do índio e ficam amigos para sempre. Há uma coisa legal no filme: o Christian Slater morre decapitado. Mas no geral, cenas-chavão surgem aos borbotões sem nenhum sinal de vergonha na cara.

Chega enfim a batalha final. Meia dúzia de soldados têm que tomar um morro com japoneses saindo pelo ladrão e os maiores canhões que a Segunda Guerra já viu. Nicolas Cage e o índio vão lá, dão a posição dos canhões, a artilharia - em imagens de arquivo - detona o lugar, mas todos acabam morrendo no final. Prum filme sério até que é divertido.

Pra não dizer que essa resenha não traz nenhuma boa notícia, fica aqui a dica de um dos melhores sites sobre cinema: o “Hey! It’s that guy!” ou “Ei! É aquele cara!”. Aqui tem aqueles atores de segunda que estão em todos os filmes mas a gente nunca sabe o nome. (http://www.fametracker.com/hey_its_that_guy/)

3/10 (Pelo mérito de conseguirem condensar tantos lugares-comuns em um só filme)

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Às vezes rogar praga funciona

{ 27 de Outubro de 2006 }

Mais um texto que fiz pro Marca Diabo em 2004, na véspera do lançamento do filme. Ainda bem que foi mesmo uma bomba, fracassou na bilheteria e os dois citados não fizeram mais nada desde então :)

*   *   *

Caça ao roteirista e ao diretor
James Robinson e Stephen Norrington deveriam ser incluídos na lista de procurados pelo FBI

Os fãs dos quadrinhos em breve sairão numa cruzada em busca das cabeças desses dois caras que, em conjunto com os estúdios de cinema, vão destruir duas das melhores criações do gênero. Eles são o roteirista James Robinson e o diretor Stephen Norrington.

Heresia nº1 - A dupla é a responsável pelo filme da Liga dos Cavalheiros Extraordinários (ou League of Extraordinary Gentlemen, ou LXG pra encurtar). A série é uma obra de Alan Moore, que deve estar arrependido até as pontas de suas longas barbas de ter vendido a história pro cinema. Pra quem não sabe, a LXG dos quadrinhos é uma reunião de vários personagens da ficção literária vitoriana num só universo. Unem-se na equipe Wilhelmina Murray (a mulher do Drácula), Alan Quatermain (das Minas do Rei Salomão), Dr. Jekyll/Mr. Hyde, o Homem Invisível, Capitão Nemo, Sherlock Holmes e mais uma penca de gente. A idéia é ótima e história é sensacional, os desenhos de Kevin O’Neill são soberbos e você se sente um ignorante iletrado depois de ler o gibi e não conseguir captar todas as referências (isso é um elogio). Cada personagem secundário, cada extra, cada cenário, saiu das páginas de algum livro. Dito isso, a inquisição do bom-senso decreta que a fogueira seria pouco para o Sr. Robinson e o Sr. Norrington.

O primeiro pegou o original e reescreveu mais de 20 vezes. Enfiou o Tom Sawyer (de Mark Twain) na turma porque “achei que a 20th Century Fox se sentiria mais confortável ao bancar um filme tão caro se ele tivesse um personagem americano”. Inventou do nada juntar Dorian Gray (de Oscar Wilde) “porque ajuda a história de um modo que não posso revelar” e um vilão chamado “The Fantom” e seu capanga aparentemente nazista “Dante” (não o Alighieri). Lembrem-se que a história se passa num fictício final de século XIX. O canalha, que considera Alan Moore um dos maiores escritores de quadrinhos de todos os tempos, se alegra ao dizer que “ele tem largado de mão o filme”, como se isso fosse prova de confiança no roteirista…

O comparsa e diretor Norrington resolveu inovar nos cenários, mudando um pouco o look dos quadrinhos e fazer cenas de luta “muito loucas”, o que quer que isso signifique. Pra completar as cagadas do filme, Mina Murray se transforma numa vampira enfurecida, coisa que não existe no gibi e que censurou o filme pra menores de 13 anos. Alan Quatermain é vivido pelo Sean Connery, que quase saiu na porrada com o diretor e só aparece no set pra “terminar isso o quanto antes”. Os rumores de tensão no set de filmagem, causadas pela indecisão do diretor e falta de foco no projeto crescem a cada dia. As enchentes em Praga, por exemplo, destruíram cinco locações e atrasaram as gravações em no mínimo duas semanas.

O logotipo da LXG, uma vez fiel à arte de Kevin O’Neill, agora foi modernizado e destoa do filme com seu estilo X-Men cromado. Com tantas modificações e gente mal-intencionada envolvida, a chance que saia um filme minimamente assistível é zero. Obviamente, muitas críticas ao roteiro surgiram e Robinson justificou a venda de sua alma ao diabo dizendo que “quando você se flagra no meio do redemoinho criativo que envolve um grande filme, é preciso ver além para chegar às conclusões óbvias”. Óbvias pra quem? Só se for pro estúdio.

Heresia nº 2 - Essa é assunto para um texto futuro, mas também diz respeito à dupla dinâmica Robinson e Norrington. O próximo projeto deles é - de novo - uma adaptação de um clássico dos quadrinhos para o cinema. E segurem-se, porque o choque é ainda maior. Os mentecaptos agora vão destruir Akira, a obra-prima de Katsuhiro Otomo, já registrada pelo próprio autor em uma versão definitiva de animação. Só resta esperar que a reputação dos dois caia em total descrédito depois de LXG e que todos seus projetos futuros sejam suspensos. Não custa sonhar.

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Há algum tempo fiz esse texto pro site Marca Diabo. Encontrei nos meus arquivos e resolvi reproduzir aqui com algumas atualizações.

* * *

Os crucificados pelo sistema descobrem seu mentor
Chuck Palahniuk fala sobre os assuntos que ninguém tem coragem de conversar
Um certo dia Chuck Palahniuk foi abordado por um rapaz que disse ter adorado o jeito que ele descreveu os garçons mexendo com a comida antes de servir, no Clube da Luta. O cara contou a ele que trabalhava num restaurante cinco estrelas e que lá eles sacaneavam os pratos das celebridades o tempo todo. “Margaret Thatcher”, disse ele, “comeu o meu esperma”. E mostrando a mão aberta, completou, “pelo menos cinco vezes”.

A história acima foi contada por Chuck em um artigo onde ele analisa o comportamento humano à luz de Kierkegaard e chega à conclusão de que as pessoas não vão deixar de fazer alguma coisa só porque é ilegal ou moralmente repreensível. Basta descobrirem que alguma coisa é possível para começarem a fazê-la.

Em seus livros Chuck faz exatamente isso: levanta o tapete para debaixo do qual todo mundo varreu seus atos mais sórdidos e deploráveis. Fala sobre assuntos que ninguém tem coragem de conversar. E assim demonstra serem possíveis coisas que muita gente nunca imaginou.

Segundo Kierkegaard, analisa Palahniuk, cada vez que percebemos que algo é possível, fazemos isso acontecer. Transformamos essa possibilidade em algo inevitável. “Até Stephen King ter escrito sobre assassinatos nas escolas, ninguém falava sobre isso”, diz ele no mesmo artigo. “Mas foram Carrie e Rage que tornaram isso inevitável?”, questiona. Mesmo sem ninguém ter escrito sobre isso, o imbecil do maníaco do shopping viu que “dava” pra sair atirando no cinema. E foi isso que ele fez.

A cada dia comprovamos que tem sempre algum maluco que vai fazer alguma loucura que o cara escreveu. Mas é realmente culpa do escritor ter revelado às pessoas fatos que muita gente já sabia por baixo dos panos? Figurões de Hollywood contaram a ele que em seus tempos de projecionistas nos cinemas faziam igualzinho ao que foi mostrado no Clube da Luta. Intercalavam quadros de putaria no meio de filmes para a família.

E os livros dele são recheados do começo ao fim com esse tipo de coisa. No Brasil, quem buscar livros de Palahniuk vai encontrar somente o Clube da Luta, Sobrevivente e Cantiga de Ninar (*informação provavelmente desatualizada). Os outros três não foram traduzidos ainda, mas vão virar filme e já estão sendo produzidos. São eles Invisible Monsters, que vai ser dirigido por Jesse Peyronel e produzido pela Miramax; Choke, a ser produzido pela Bandeira Entertainment, de Réquiem para um Sonho; e Diary, o menos adiantado de todos, que está na mão da Dreamworks.
Quem lê em inglês pode se contentar com Guts, um conto sobre “técnicas” de masturbação que dão errado e que não é recomendado para os fracos de estômago (Leia o conto em inglês aqui). Foi lendo este conto - um capítulo de seu próximo livro (Haunted, já lançado) – para platéias nos Estados Unidos, que ele fez mais de 40 pessoas desmaiarem ou passarem mal. Se você é impressionável não leia. Ou pelo menos deixe pra ler bem depois da hora do almoço.

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