Todo blog que se preze tem listas de 10 mais, seja de que tópico for. Então resolvi postar algumas relacionadas com jornalismo de base de dados ou que nome tenha o “data journalism” que falam por aí. Reproduzo livremente e com licenças tradutórias do artigo original de Rich Gordon para o Readership Institute, que achei bem interessante.

A primeira lista é baseada em conclusões do grupo jornalístico Gannett Co. que implementou o information center, um tipo de central de coleta de dados:

Porque os dados devem ser a força motriz do jornalismo

  • Dados não perdem a validade
    Depois de 24 horas o valor deles para o usuário não diminui.
  • Dados podem ser pessoais
    A proximidade com o leitor se torna muito maior e mais fácil de ser atingida.
  • Dados são melhor distribuídos em um meio sem limitações de espaço
    As melhores bases de dados são grandes demais para serem impressas na íntegra. A web além disso ainda tem a vantagem de possibilitar buscas, reordenação e todo tipo de filtragem.
  • Dados se aproveitam das maneiras que as pessoas usam a web
    É um meio que se presta mais ao comportamento ativo, de pesquisar e interagir, do que passivo, de ler e assistir.
  • Dados, depois de coletados, podem ser utilizados no meio impresso
    Depois de coletar, armazenar e permitir o acesso aos dados, é fácil utilizá-los em outros meios.

O jornal The Indianapolis Star, do grupo Gannet, é um dos que melhor aplica os itens acima, segundo o autor. E baseado na experiência deles surgiu a lista a seguir, que mostra…

As lições aprendidas pelo Star

  • Tenha um plano
    Antes de montar a Central de Dados, pessoas-chave da redação criaram uma lista de assuntos que poderiam render bons dados e que seriam úteis para os leitores. Essa lista guiou todo o desenvolvimento das aplicações.
  • Envolva especialistas em Reportagem Assistida por Computador (RAC)
    Repórteres e editores que já utilizam RAC têm o maior conhecimento de onde fuçar para encontrar dados importantes, que dados estão disponíveis e como lidar com buracos e inconsistências nas bases de dados.
  • Monte uma equipe
    São necessárias as habilidades jornalísticas e analíticas de um especialista em RAC , o entendimento de pesquisa de bibliotecários de notícias, habilidades de desenvolvimento e HTML de programadores e o bom gosto visual e habilidade multimídia do departamento de arte. Embora seja difícil, é possível encontrar quem consiga acumular duas ou mais destas funções.
  • Aumente a importância do “arquivo” de notícias
    Com a digitalização, jornais têm abandonado a clipagem manual e catalogação diária do jornal. Mas para que a central de dados funcione a contento, é importante que a área de armazenamento e pesquisa também esteja funcionando bem.
  • Encontre ferramentas que tornem a publicação fácil
    Existem soluções de código aberto excelentes para esse tipo de central de dados. Django, um framework escrito na linguagem de programação Python, é o destaque. Nasceu das necessidades de um jornal e amadureceu dentro de uma redação, sendo moldado para permitir a produção de aplicações no ritmo da pauleira do fechamento.
  • Publique apenas o que tiver valor de notícia
    As bases de dados com maior valor são aquelas apresentadas dentro de um contexto jornalístico claro. Tem que haver relação entre o que é notícia e os dados que são mostrados.

Para encerrar esse post que já está ficando comprido, uma última listinha, desta vez mostrando uma hierarquia dos tipos de projetos possíveis de se executar com uma central de dados na redação. A lista segue em ordem de complexidade:

  1. Entrega de dados
    É o modelo mais simples. Você coleta os dados e mostra a tabela para os leitores.
  2. Busca de dados
    É o modelo mais comum. Espera-se que o leitor encontre alguma coisa fazendo uma busca num campo de texto e alguns filtros, no caso de buscas avançadas.
  3. Exploração de dados
    Aqui começa a ficar mais divertido. É o modelo usado pelo chicagocrime.com chicagocrime.org. Além da busca, tudo é link e pode ser clicado e a cada tela novas opções de navegação são sugeridas, melhorando a experiência do usuário. A apresentação do conteúdo e arquitetura da informação obedecem a critérios jornalísticos.
  4. Experiências com dados e com narrativas
    É o casamento entre os dados e a notícia, integrando também elementos de redes sociais como comentários e elementos de narrativas multimídia como áudio e vídeo. O importante aqui é que deve existir uma integração de verdade. Não basta jogar um vídeo, uma tabela e umas notícias numa página para dizer que funcionou.
    Dois dos exemplos mais avançados deste modelo saíram do NY Times e do Star Tribune. Vale a pena dar uma olhada.

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