Fato aleatório A) Nesta quinta-feira (30/8) vou a Joinville participar da pyConBrasil, uma conferência de usuários da linguagem de programação python. Vou para aprender mais sobre Django, um framework escrito em python que serve para criar sites.
Informação perdida B) Como diz ali na coluna do lado, sou um jornalista.
Juntar A + B faz sentido? Porque um jornalista deveria aprender a programar? E porque deve se meter com python e Django ou com qualquer outra linguagem?
Quem me conhece sabe que defendo e pratico essa integração entre jornalista e programador já faz tempo. Já me dei mal por causa disso. Fui rejeitado numa entrevista de emprego em um site de uma grande editora porque queria me meter onde não era chamado. Para eles não existia meio-termo, ou você era repórter ou desenvolvedor.
Hoje, finalmente muitos editores, donos de jornais e acadêmicos estão percebendo como é importante ter gente com esse perfil “fuçador” em suas equipes. No Brasil, me parece que poucos tratam do assunto (mandem links nos comentários se souberem de alguém).
Não vou dizer que “eu já sabia” que ia ser assim. Na verdade, desde antes de ser jornalista fui me aprofundando nas áreas que mais gosto de trabalhar, apostando que um dia esse conhecimento seria útil. Fiz sites com ASP e PHP, Actionscript, Javascript, aprendi orientação a objetos, arquitetura Model View Controller, brinquei com Ruby on Rails e Python no meu tempo livre. Descobri a importância do código aberto e me converti ao Linux. A empreitada com Django é apenas mais um passo nessa integração entre áreas de conhecimento.
Por que Django?
Porque é um framework criado por um jornalista. E programador. O nome dele é Adrian Holovaty (criador do chicagocrime.org e ex-editor de projetos especiais do washingtonpost.com). Ele é o funcionário que todos os jornais gostariam de ter, mas está ocupado aproveitando sua bolsa de 1 milhão de dólares para desenvolver o EveryBlock, um sistema de notícias hiper-locais. Em Django, claro.
Essa visão de quem transita pelas duas áreas, que caras como Holovaty têm, é a visão que eu me esforço pra aprimorar. É o que tentei fazer no meu mestrado ao falar das APIs e web services à serviço do jornalismo. Por isso queria lembrar aos editores que porventura passem por aqui, que se um dia precisarem de um jornalista-programador na equipe para projetos especiais como estes, podem entrar em contato comigo (se um blog não servir pra se auto-promover, vai servir pra quê?).
Depois conto como foi lá em Joinville com o pessoal do python. E também retomo o assunto. Ainda tem muito pano pra manga…
Pedrão, concordo com você. Sou um completo ignorante nesta área, mas já pensei em começar a me alfabetizar. Quero fazer um curso de webdesign, pelo menos – nem sei se é o mais adequado. Acho que, nestes tempos de jornalismo multimídia, não tem outro jeito, não. No NYT, os jornalistas estão até aprendendo a operar câmeras para fazer as próprias imagens nas matérias que apuram. Mas é que nós, jornalistas, somos formados para mudar o mundo, não para ganhar dinheiro nele
A técnica, como diz o Tambosi, é vista de soslaio; é coisa do capitalismo malvado e alienante.
abraço