Sabe o Clube da Luta? Então, foi ele quem escreveu…
{ Outubro 25th, 2006 }
Há algum tempo fiz esse texto pro site Marca Diabo. Encontrei nos meus arquivos e resolvi reproduzir aqui com algumas atualizações.
* * *
Os crucificados pelo sistema descobrem seu mentor
Chuck Palahniuk fala sobre os assuntos que ninguém tem coragem de conversar
Um certo dia Chuck Palahniuk foi abordado por um rapaz que disse ter adorado o jeito que ele descreveu os garçons mexendo com a comida antes de servir, no Clube da Luta. O cara contou a ele que trabalhava num restaurante cinco estrelas e que lá eles sacaneavam os pratos das celebridades o tempo todo. “Margaret Thatcher”, disse ele, “comeu o meu esperma”. E mostrando a mão aberta, completou, “pelo menos cinco vezes”.
A história acima foi contada por Chuck em um artigo onde ele analisa o comportamento humano à luz de Kierkegaard e chega à conclusão de que as pessoas não vão deixar de fazer alguma coisa só porque é ilegal ou moralmente repreensível. Basta descobrirem que alguma coisa é possível para começarem a fazê-la.
Em seus livros Chuck faz exatamente isso: levanta o tapete para debaixo do qual todo mundo varreu seus atos mais sórdidos e deploráveis. Fala sobre assuntos que ninguém tem coragem de conversar. E assim demonstra serem possíveis coisas que muita gente nunca imaginou.
Segundo Kierkegaard, analisa Palahniuk, cada vez que percebemos que algo é possível, fazemos isso acontecer. Transformamos essa possibilidade em algo inevitável. “Até Stephen King ter escrito sobre assassinatos nas escolas, ninguém falava sobre isso”, diz ele no mesmo artigo. “Mas foram Carrie e Rage que tornaram isso inevitável?”, questiona. Mesmo sem ninguém ter escrito sobre isso, o imbecil do maníaco do shopping viu que “dava” pra sair atirando no cinema. E foi isso que ele fez.
A cada dia comprovamos que tem sempre algum maluco que vai fazer alguma loucura que o cara escreveu. Mas é realmente culpa do escritor ter revelado às pessoas fatos que muita gente já sabia por baixo dos panos? Figurões de Hollywood contaram a ele que em seus tempos de projecionistas nos cinemas faziam igualzinho ao que foi mostrado no Clube da Luta. Intercalavam quadros de putaria no meio de filmes para a família.
E os livros dele são recheados do começo ao fim com esse tipo de coisa. No Brasil, quem buscar livros de Palahniuk vai encontrar somente o Clube da Luta, Sobrevivente e Cantiga de Ninar (*informação provavelmente desatualizada). Os outros três não foram traduzidos ainda, mas vão virar filme e já estão sendo produzidos. São eles Invisible Monsters, que vai ser dirigido por Jesse Peyronel e produzido pela Miramax; Choke, a ser produzido pela Bandeira Entertainment, de Réquiem para um Sonho; e Diary, o menos adiantado de todos, que está na mão da Dreamworks.
Quem lê em inglês pode se contentar com Guts, um conto sobre “técnicas” de masturbação que dão errado e que não é recomendado para os fracos de estômago (Leia o conto em inglês aqui). Foi lendo este conto - um capítulo de seu próximo livro (Haunted, já lançado) – para platéias nos Estados Unidos, que ele fez mais de 40 pessoas desmaiarem ou passarem mal. Se você é impressionável não leia. Ou pelo menos deixe pra ler bem depois da hora do almoço.

Deixe uma resposta