Não queria que esse blog virasse um blog, porque é só um caderno de anotações. Mas já que recebi essa corrente sobre livros e as perguntas estão em português de Portugal, resolvi ir na onda e passar adiante…
Ah, o André corrigiu umas perguntas, e acho que ficou melhor mesmo. Recebi a corrente do Cesar Valente, do Cartaberta, que por acaso é meu pai.
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Robinson Crusoé, de Daniel Defoe (ainda mais agora, assistindo o Lost)
2. Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado (apaixonado, correção do André) por uma personagem de ficção?
Apaixonado não, mas perturbado. Aquiles e a Tartaruga deram um nó na minha cabeça. Douglas Hofstadter pegou os dois emprestados de um conto de Lewis Carrol e usou-os para dar exemplos de teorias auto-referentes, voltas estranhas, sistemas formais e milhares de outras coisas, juntando música, desenho, matemática, computadores e inteligência artificial no livro “Gödel, Escher, Bach“, vencedor do Pulitzer. Ainda não terminei, mas a cada trecho que leio essa dupla me deixa um pouco mais desorientado.
3. O último livro que compraste?
Pra mim, comprei de uma vez pela Amazon os três do guru dos infográficos Edward Tufte, “Visual Explanations“, “Envisioning Information” e “The Visual Display of Quantitative Information“. Pra dar de presente foi “Deve ter sido alguma coisa que eu comi“, de Jeffrey Steingarten.
4. Os últimos livros que leste?
“As 48 Leis do Poder“, de Robert Greene e Joost Elffers, “Emergência. A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares” e “Cultura da Interface” do Steven Johnson, os do Tufte que listei acima, “Presa“, do Michael Crichton, “Código DaVinci”, Dan Brown, “Cantiga de Ninar” e “Sobrevivente“, do Chuck Palahniuk e alguns do Paul Auster, “Timbuktu“, “Mr. Vertigo” e “O Livro das Ilusões“.
5. Que livros estás a ler?
Comecei ano passado e um dia vou terminar “Gödel, Escher, Bach“, de Douglas Hofstadter e “A Insustentável Leveza do Ser“, do Milan Kundera.
6. Que livros que levarias para uma ilha deserta? (5 livros, segundo o André)
Todos os que me ajudassem a sobreviver na ilha:
- “Robinson Crusoé“, de Daniel Defoe;
- “A Ilha Misteriosa“, de Júlio Verne;
- “A Ilha do Tesouro“, de Robert Louis Stevenson;
- Algum sobre a expedição do Shackleton;
- “A Ilha do Dr. Moreau“, de H.G. Wells. (esse é só pra ter idéias do que fazer com uma ilha deserta)
(Ainda não li A Família Robinson Suíça, clássico da sessão da tarde, pra saber se me ajudaria)
7. Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e por quê?
- Zé Lacerda – porque ele tem lido umas coisas muito legais que quero pedir emprestado;
- Rhodrigo Deda – porque ele vai do código penal ao ocultismo, lendo tudo pelo caminho;
- Giuliano Ventura – porque faz um tempo que não sei por que prateleiras ele anda;
- Patrick Cruz – porque em Salvador, naquele calor, ele deve ler deitado na rede o dia todo.
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
É sério que eu queria ter coragem de encarar Ulisses e, principalmente, Finnegans Wake pra ver com meus próprios olhos (e não pelos de críticos ou resenhistas) por que diabos o James Joyce é, bem, o James Joyce, mas ainda não tive coragem. Além do mais, fico achando que não vai soar bem “eu li Joyce”. Me parece uma coisa bem pedante de se falar.
2. Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado (apaixonado, correção do André) por uma personagem de ficção?
Sim. Holden Caufield, d’O Apanhador no Campo de Centeio. Eu li o livro com uns 18, 19 anos, o que acho que foi bem propício – o personagem tem 16. Até hoje tenho a impressão de que falo e escrevo um pouco como o velho Holden, aquele sacana.
3. O último livro que compraste?
Nunca fui de comprar muito livro, não (grana apertada, sabe como é…). Acabo sempre me valendo de bibliotecas ou da boa vontade dos amigos que têm uma coleção bacana. De qualquer forma, comprei (mas ainda não li) há algumas semanas “Canudos – Diário de uma Expedição”, do Euclides da Cunha. É uma espécie de making of d’Os Sertões.
4. Os últimos livros que leste?
“Pergunte ao Pó”, do John Fante, e “Futebol ao Sol e à Sombra”, do Eduardo Galeano. Um dia eu aprendo a fazer o que o Galeano fez nesse livro – já é a segunda vez que leio esse aí
5. Que livros estás a ler?
Tô vencendo meu preconceito com gente que vende muito: tô terminando (e gostando bastante de) “Fortaleza Digital”, do Dan Brown (parece uma versão literária de blockbuster; não consigo imaginar uma versão pro cinema sem o Tom Cruise em um dos papéis principais). Vencendo o preconceito, pero no mucho: tá arrastadíssimo o andamento d’O Iluminado, do Stephen King, o que me faz crer que vai ser a última coisa que vou ler desse chato de galochas. Comecei também “Contos Gauchescos”, do João Simões Lopes Neto.
6. Que livros que levarias para uma ilha deserta? (5 livros, segundo o André)
Já que vou ter tempo, vou poder ler livros maiores tipo “As Mil e Uma Noites”, “Guerra e Paz”, do Tolstói, e a trilogia “O Tempo e o Vento”, do Érico Veríssimo (me acho um cocô por ainda não ter lido). No mínimo um de crônicas sobre futebol do Nelson Rodrigues (pode ser “O Profeta Tricolor: Cem Anos de Fluminense”) e um do Julio Verne que não seja “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, que já li. Ou então um do Faulkner.
7. Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e por quê?
Não passo correntes por questão de princípios
Mas essa foi bacana.
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Se é preciso decorar, que seja um conto: “O Capote”, de Gogol.
2. Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado (apaixonado, correção do André) por uma personagem de ficção?
Perturbaram-me, cada um a seu tempo, o jovem Werther, Holden Caufield (apresentado pelo Patrick), Arturo Bandini (apresentado pelo Pedro) e Josef K. A família do “Vidas Secas” também não é fraca.
3. O último livro que compraste?
“Crônicas – Volume Um”, de Bob Dylan.
4. Os últimos livros que leste?
“A Vida como Performance”, de Kenneth Tynan, “Radical Chique e o Novo Jornalismo”, de Tom Wolfe, “Tanto Faz”, de Reinaldo Moraes, “O Louco do Cati”, de Dyonelio Machado, “Desvendando os quadrinhos”, de Scott McCloud.
5. Que livros estás a ler?
Estou lendo “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, e lutando bravamente contra “Formação da Literatura Brasileira”, de Antonio Candido, e “Teoria da Literatura: Uma Introdução”, de Terry Eagleton.
6. Que livros que levarias para uma ilha deserta? (5 livros, segundo o André)
Só um que garantiria anos de distração, “O Jogo da Amarelinha”, de Juliuo Cortázar. Até terminar todas as combinações possíveis entre os capítulos eu já teria sido resgatado (ou morrido).
7. Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e por quê?
Melhor deixe.
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Seria o Arco Íris da Gravidade, do Thomas Pynchon. Seria a sensação entre os livros. Obscuro, divertido, pleno em sacanagens, em formas inusitadas, em opiáceos, lisergia, cenas que mais parecem desenhos animados, personagens que se dissolvem na Zona.
2. Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado (apaixonado, correção do André) por uma personagem de ficção?
Horácio Oliveira, de O Jogo da Amarelinha. Um cínico de bom coração, que procura desde o capítulo 1 o grande amor, Encontraria a Maga?. Para quem leu salteando capítulos conhece o verdadeiro significado desse jogo e sabe o trágico fim que Holiveira teve.
3. O último livro que compraste?
O Grande Massacre dos Gatos. Livro de história cultural francesa. Tem a “verdadeira versão da história do Capuzinho Vermelho”.
4. Os últimos livros que leste?
O Castelo de Axel, de Edmund Wilson, que tem um artigo sobre simbolismo que indico ao Giuliano. Não se arrependerá. A Trilogia da Fundação, do Asimov. Nesse ano li e recomendei a todo o mundo o Emergência e o Cultura da Interface, que tem me ajudado a escrever matérias sobre cidades e sobre comportamento web.
5. Que livros estás a ler?
O Grande Massacre dos Gatos (Robert Darnton), Teoria Social Hoje (Anthony Giddens), F de Foguete (C. Bradbury), As Máscaras de Deus vol.3 (Joseph Campbell). Como o Pedro, um dia eu termino o Godel Echer Bach, do Hofstader.
6. Que livros que levarias para uma ilha deserta? (5 livros, segundo o André)
Em primeiro lugar, levaria o I-Ching. Ainda mais se estivesse sozinho na ilha. Para a filosofia diária nada melhor que o I-Ching. Levaria a Obra Completa de Fernando Pessoa, se moça que estivesse comigo fosse sensível, Obras Completas do Borges, se ela fosse imaginativa, o Jogo da Amarelinha, se ela fosse passional e o Tantra Shastra, se ela só quisesse saber de amor. De qualquer forma essas peças me divertiriam bastante.
7. Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e por quê?
Acho que vou passar de novo para o Zela Cerda. Vai que ele responde.