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Dados públicos no Hack Day

Eu não esperava tanta atividade dos hackers em torno de dados públicos, mas felizmente foi isso que aconteceu no Yahoo! Open Hack Day 2010. No início do evento o Chris Heilmannincentivava o pessoal a buscar problemas do seu dia-a-dia para atacar, enquanto eu, na minha apresentação, falava sobre extrair dados públicos na marra.

Segue uma lista dos hacks que utilizaram dados públicos e que foram apresentados no HackDay.

Infraero Parser

O Danilão chegou atrasado no hackday e me pediu um desafio que envolvesse dados públicos. Falei pra ele:

- Se você conseguir tirar os dados da Infraero, te pago uma cerveja!

Ele topou o desafio e conseguiu parsear o site. Ainda por cima ganhou o prêmio de melhor hack na categoria “relevância pública”, criada especialmente pelo fato de existirem tantos projetos relacionados a este assunto. Ainda devo a cerveja, mas pagarei feliz da vida.

Meus Postos e GasFinder

Na minha apresentação eu havia comentado sobre uma visualização em cima da pesquisa de preços de combustíveis da ANP. O Luciano Camilo surgiu logo depois me mostrando uma iniciativa dele também usando essa mesma fonte de dados. Ele já tem um robô que extrai os dados dessa pesquisa desde 2008 e também transformou sua API para acesso a eles em Open Tables do YQL. Veja o site do projeto Meus Postos.

Junto com o Eduardo Otubo, eles usaram os dados dessa API em uma aplicação para Android, o GasFinder, que mostra no mapa o combustível mais barato na sua redondeza.

Esses dois projetos ganharam o prêmio de Melhor Hack usando o YQL.

Violência em São Paulo

Uma visualização das estatísticas de criminalidade em São Paulo baseada em endereços. Feita por Luiz Alberto Hespanha, Rafael Henrique Manoel, Marcos Sousa e Wanderlei Souza. Acesse o hack aqui.

Xerifes do DF

O pessoal do Transparência Hackday também esteve presente e criou um mashup político, mostrando os resultados das eleições no Distrito Federal em um mapa. Interessante observar a porcentagem obtida pelo candidato mais votado em cada zona eleitoral. O projeto pode ser acessado aqui e os autores são Bruno Barreto, Pedro Markun e Ricardo Poppi.

Mapeamento de Doenças do Brasil
Estatísticas super completas visualizadas com mapas e gráficos sobre a incidência de doenças no Brasil. Pena que não consegui a URL do projeto pra mostrar. Se alguém souber onde acessar, me dêem um toque. Os autores são Tiago Bojikian, Jonas Albuquerque e Romilson Lemes.

PlaceHacker
O Maurício Maia, insatisfeito com os resultados de lugares em São Paulo fornecidos pelo Placemaker do Yahoo, resolveu criar o seu próprio e acabou vencendo a categoria ‘Keep it Local’. O Placehacker extrai lugares de textos de notícias e usa para contextualizar as notícias em relação ao um mapa. Também não achei a URL pra ele, então me mandem se acharem por aí. Ele não está online, mas o Maurício fez um post explicando como foi criar o hack.

Outros hacks
Teve muito mais coisa legal que não usava dados públicos mas que vale a pena dar uma olhada. Veja a conta oficial do brhackday no Meme e a lista completa dos hacks para saber mais.

O “dono” do produto

Como alguns de vocês já sabem, estou desde o final de 2008 no Yahoo!, e junto com uma equipe incrível ajudei a criar o Meme, um novo site de light-blogging que está em versão beta.

Entrei no Yahoo! a convite do Antonio, que acabou me citando nesse post ao explicar um pouco sobre o Meme e como foi desenvolvê-lo usando Scrum desde o começo.

Quero contar pra vocês o que é esta função e como eu vim parar aqui.

Meu papel na equipe é de P.O., ou seja, Product Owner, que traduzindo significa “dono do produto”. O nome é imponente e sugere uma importância crucial, e essa foi mesmo a minha primeira impressão. Mas não é nada ditatorial, o PO tem é a palavra final na priorização das funcionalidades durante o desenvolvimento.

Eu sempre quis implantar métodos ágeis na TV Cultura, onde estava trabalhando antes, e havia começado a estudar o assunto. Mas confesso que não tinha entendido direito o que um PO faz até ler o Agile Estimation and Planning, do Mike Cohn.

Quando recebi o convite para vir pro Yahoo!, o Antonio me disse que fui selecionado por ter “o perfil mais estranho que ele havia encontrado”. Achei graça, mas deve fazer sentido, eu também conheço pouquíssimas pessoas com um perfil similar.

Mas qual é esse perfil? E por que ele se encaixa na função de PO?

Sou jornalista formado, fiz mestrado em engenharia e adoro programar no meu tempo livre.  A multidisciplinaridade sempre me atraiu e por isso acabei – sem perceber – durante toda a vida me preparando para exercer esta função que eu eu nem sabia que iria existir.

Não sou tão bom programador quanto os caras da nossa equipe. Eles me põem no chinelo, fácil. Não sou tão bom repórter quanto meu amigos de redação. O texto deles é muito melhor, sem nem fazer força. Mas sou autodidata e fuçador, atiro para todos os lados. E sempre tive a intuição de que isso – além de ser muito divertido – ia me servir pra alguma coisa no futuro.

E serviu. A função de PO, conforme explicada nos livros, exige um entendimento das pressões externas do mercado, das demandas internas da empresa e do desenvolvimento diário do produto. Em cima de tudo isso, o PO precisa ter uma visão clara do caminho que o produto deve seguir e priorizar as coisas para que essa visão se concretize.

Óbvio que eu não sabia nada disso ao começar, muito menos como era trabalhar em uma empresa multinacional com 15 mil funcionários. Mas fui aprendendo, entendi a lógica do processo e me adaptei sem grandes traumas. Um ano depois, ficou natural transitar entre discussões sobre refatoração de código e iniciativas de marketing. É corriqueiro passar de brigas sobre design de API a apresentações com planejamento para o ano seguinte.

Em um time, ninguém manda em ninguém

Como estou cercado de gente que sabe mais do que eu em suas especialidades, não sou trouxa de sair decretando o que me vem na telha. Em teoria, o PO tem esse poder, mas eu acho bobagem centralizar tanto assim. Sou obrigado a buscar argumentos convincentes – técnicos, teóricos ou políticos – para justificar as decisões do que vai ser feito na seqüência. E assim como posso ser convencido, tento convencer também por meio destes argumentos.

Estar em um time ágil com profissionais de diversas áreas dedicados inteiramente a um produto foi uma novidade que me fez aprender muito. Todos trabalham para entregar o resultado final, e não para concluir a sua parte na linha de produção. A auto-organização e respeito à inteligência do time é essencial. Não existe alguém mandando nos outros para que determinada tarefa seja feita.

O reflexo deste modelo para o PO é que qualquer decisão incomum aos olhos do time vai ser bastante questionada. Estamos todos no mesmo barco, e o fato de termos sucesso ou afundarmos juntos faz com que o grupo queira fazer a coisa certa e seja bastante proativo em relação a isso. Portanto, mais do que ditar a visão a ser seguida, o PO precisa convencer a tripulação a remar pra frente, mostrando por A+B que a direção faz sentido.

Cara nova

Novo tema no blog, ainda em adaptação.
O mais legal é que tem fontes diferentes sem precisar de Flash, usa o Cufón.

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